Mapa de quantidades: o que leva e como se organiza
Um mapa de quantidades é a lista ordenada de todos os trabalhos de uma obra, com a unidade e a quantidade de cada um, e é a base sobre a qual se põe o preço e se compara qualquer proposta. Se a lista estiver completa e bem ordenada, o orçamento sai quase sozinho. Se lhe faltar uma linha, o custo aparece mais tarde e já em obra.
Para que serve
Serve três coisas. Primeiro, dá a todos os concorrentes a mesma lista para preencherem, o que torna as propostas comparáveis. Segundo, é o documento a que o contrato se agarra: o valor de cada trabalho vem daqui. Terceiro, é o índice dos autos de medição, porque cada auto mede os mesmos artigos ao longo da obra.
As colunas de um mapa
- Número do artigo: um código estável, por exemplo 04.03, que não muda a meio da obra.
- Designação: o trabalho descrito de forma a que dois profissionais diferentes o entendam do mesmo modo.
- Unidade: m², m³, m, un ou vg (verba global), sempre a mesma para o mesmo tipo de trabalho.
- Quantidade: o resultado da medição do projeto.
- Preço unitário: o custo por unidade, que preenche quem orçamenta.
- Total: quantidade vezes preço unitário.
Como se organiza: capítulos e artigos
Agrupa os artigos em capítulos pela ordem em que a obra se executa ou pela especialidade. Uma ordem que funciona para uma moradia nova, do lote ao fim, é esta:
- Estaleiro e trabalhos preparatórios.
- Demolições e movimento de terras.
- Fundações.
- Estrutura.
- Alvenarias.
- Coberturas e impermeabilizações.
- Redes e instalações: águas, esgotos, eletricidade, telecomunicações, climatização.
- Revestimentos e isolamentos.
- Caixilharias, carpintarias e serralharias.
- Pinturas e acabamentos.
- Arranjos exteriores.
- Limpezas e entrega.
Dentro de cada capítulo, escreve os artigos do mais geral para o mais específico. Numera em dois níveis, capítulo e artigo, e deixa espaço na numeração para acrescentar linhas sem renumerar tudo.
Como se mede: critérios escritos
O maior risco de um mapa não está na conta, está no critério. A alvenaria mede-se com ou sem vãos? A pintura conta o teto? O reboco desconta os caixilhos? Escreve o critério de medição no início do mapa ou na designação de cada artigo, e usa o mesmo em toda a obra. Quando dois orçamentistas discordam de um total, quase sempre é o critério que difere e não a régua.
Os erros mais comuns
- Linhas em falta: o que não está no mapa não está no preço. As mais esquecidas são as ligações às redes, os remates, as proteções de obra e as limpezas.
- Designações vagas, como «acabamentos diversos», que cada um preenche à sua maneira.
- Unidades misturadas para o mesmo tipo de trabalho.
- Verbas globais grandes demais. Uma verba que esconde muitos trabalhos impede o controlo e a medição por fases.
- Não separar a mão de obra do material quando a decomposição do preço vai ser precisa mais tarde.
Um modelo simples para começares
Excerto ilustrativo (quantidades e preços inventados só para mostrar a estrutura)
- Capítulo 05 Alvenarias
- 05.01 Alvenaria de tijolo furado de 15 cm, incluindo argamassa e ligações | m² | 120 | preço unitário | total
- 05.02 Vergas e padieiras em betão armado | m | 18 | preço unitário | total
- 05.03 Ligação de paredes a pilares com armadura de espera | m | 30 | preço unitário | total
O preço unitário e o total ficam por preencher de propósito: dependem da tua zona, dos teus fornecedores e da tua margem, e não existe um valor que sirva para toda a gente.
Antes de fechar o mapa
- Confere cada capítulo com as peças desenhadas e as escritas do projeto.
- Verifica se todas as especialidades do projeto têm capítulo.
- Relê as designações à procura de trabalhos que possam ter dois preços.
- Guarda os cálculos de medição, não só o resultado. Vais precisar deles.
Perguntas frequentes
- Mapa de quantidades e orçamento são a mesma coisa?
- Não. O mapa de quantidades é a lista de trabalhos com unidades e quantidades. O orçamento é esse mapa com os preços unitários preenchidos e os totais calculados. O mapa faz-se uma vez; o orçamento preenche-se por cada proposta.
- Quem faz o mapa de quantidades, o projetista ou o empreiteiro?
- Depende do procedimento. Em concursos e em obras com projeto completo, costuma vir do dono de obra ou do projetista. Em obra particular sem mapa, é o empreiteiro que o monta a partir do projeto, e nesse caso convém que o dono de obra o aceite por escrito.
- Como trato o que não está no projeto mas vai ser preciso?
- Acrescenta a linha ao mapa, com o seu critério de medição, e identifica-a como não prevista no projeto. Assim o custo fica à vista desde o início e não aparece como surpresa a meio da obra.
- Posso usar o mesmo mapa em obras diferentes?
- Como ponto de partida, sim: uma boa lista de trabalhos reutiliza-se muito. Mas as quantidades e os pormenores mudam sempre, por isso revê cada linha contra o projeto da obra concreta.
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Ver os ficheiros de Excel por tipo de obraOs valores dos exemplos são ilustrativos. Guia atualizado em 2026-09-29.